4 de janeiro de 2010

A septuaginta é uma tradução fiel?

A septuaginta é uma tradução fiel?



Com relação a tradução, já respondi anteriormente uma pergunta similar, veja em http://bit.ly/7jbq55.

Para lhe responder sobre a Suptuaginta, é necessário que analisemos diversos fatores, inclusive históricos.
Os primeiros livros reconhecidos como sagrados foram os compõem a Lei (Ne 8.1; Sl 119). Veja quão cedo foi esta aprovação e uso em Josué 1.7-8.
A Lei, entretanto foi esquecida com o passar do tempo, levando o povo à idolatria e ao pecado em Israel, até que foi novamente encontrada durante o reinado de Josias, trazendo gozo e quebrantamento à nação por volta de 620 a.C. (II Cr 34.14-33).
A seguir muitas das profecias registradas, provaram ser divinas pelo seu fiel cumprimento e então foram aceitas como "inspiradas" e "canônicas" (Jr 36.6; Zc 1.4-6; Zc 7.7; Dn 9.1).
O terceiro grupo de livros aceitos como sagrados foram os "escritos", compostos e aceitos em tempos diversos (Lc 24.44).
Na época do chamado "silêncio profético" (após 400 a.C.), muitos livros históricos e poéticos circulavam entre os judeus. Entre estes, alguns eram reconhecidamente sagrados, outros reconhecidamente espúrios, e uns poucos duvidosos quanto à sua natureza. Para este julgamento, os judeus usaram alguns critérios: 1) está o conteúdo deste livro em conformidade doutrinária com a Lei?; 2) É fiel historicamente?; 3) Foi escrito até o tempo do profeta Malaquias?
Considerava-se que Deus falara até o profeta Malaquias, e depois disto viera o "silêncio profético". Foi neste tempo, por volta do ano 250 a.C., que um grupo de 70 sábios judeus, na cidade egípcia de Alexandria, ao traduzir o cânon hebraico para o grego, adicionou à Lei e aos Profetas já reconhecidos como sagrados mais alguns livros sobre os quais não se tinha ainda chegado a uma definitiva conclusão com respeito à sua canonicidade. Esta versão chamou-se "Septuaginta". Só mais tarde aqueles livros de caráter duvidoso foram considerados espúrios pelos judeus, mas o cânon da Septuaginta já era consagrado e usado por muitos grupos religiosos.
No ano 90 a.D., no concílio de Jâmnia, os judeus definitivamente rejeitaram a canonicidade dos livros apócrifos e fixam o seu cânon. Aqui, no entanto já claramente reconhecemos dois cânones espalhados pelo mundo, o judeu e o grego, a Septuaginta.
Jerônimo, entre 385 e 405 a.D., traduziu para o latino cânon da Septuaginta e esta era a versão universal católica-romana (Vulgata Latina). Na reforma, Lutero foi ao hebraico, e surpreendeu-se não encontrando ali os apócrifos, fazendo então uma nova versão pata o alemão, do cânon judaico. Em 1546, no concílio de Trento, como contra-reforma, a Igreja Católica confirmou o cânon da Vulgata Latina e emitiu anátemas contra a sua rejeição.
Alguns estudiosos teem questionado a informação de que a Septuaginta fora escrita no período acima citado e por outras evidência não deveria ser utilizada como referencial de autoridade escriturística. (Veja em: http://bit.ly/6TT2gY e em http://bit.ly/6vkMCg)

Em minha opinião pessoal, apesar da existência de questionamentos acerca da Septuaginta, acredito que de nenhum forma devemos desmerecer o caráter contributivo deste texto na formação do cânon sagrado.

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